O programa de residência em Medicina de Família e Comunidade tem um papel fundamental no Sistema Único de Saúde (SUS), formando profissionais capacitados para atender integralmente famílias e comunidades. Neste artigo, vamos explorar as funções, os desafios e as oportunidades do médico de família, além de trazer um depoimento exclusivo de um especialista da área.
Vamos conferir?
O médico especializado em Medicina de Família e Comunidade realiza o atendimento integral das famílias e da comunidade, não apenas por meio de ações curativas, mas incluindo competências preventivas e terapêuticas.
Por conta desse papel importante na comunidade, o médico de família faz toda a diferença na unidade onde presta atendimento, pois é o principal objetivo é ter conhecimento da vida das pessoas daquele lugar.
Para isso, diversos fatores são levados em consideração. Além da questão biológica, ele levanta fatores psicológicos e sociais (personalidade, experiência de vida do paciente e ambiente). Esse tipo de conhecimento ajuda toda a população de forma mais rápida e eficiente.
Se você ainda não percebeu o local de destaque que esse profissional ocupa na vida e na sociedade, sabe aquele médico que conhece desde o avô ao bebê recém-chegado na família? Em quem o paciente confia e é sempre o primeiro médico a ser consultado quando um problema surge? Então, esse é o médico de família.
As responsabilidades do médico de família e comunidade incluem:
Perguntamos ao Padilha, professor de Preventiva aqui da Medway, formado pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória-ES, com Residência em Medicina de Família e Comunidade pela USP-RP, sobre como é a atuação de um médico de família e comunidade e quais são as principais responsabilidades e desafios diários. Se liga só no que ele disse:
“Existem muitas frentes de atuação para um MFC. Mas elas têm em comum a necessidade de um profissional que saiba trabalhar bem em equipe e com perfil resolutivo, já que o principal cenário de trabalho desse profissional é a Atenção Primária à Saúde (APS), que tem como um de seus objetivos ser o mais resolutiva possível.”
Médicos de família e comunidade podem atuar em diversos locais, desempenhando papéis essenciais em diferentes ambientes de saúde. Alguns dos principais espaços de atuação incluem:
Nós também perguntamos ao professor sobre quais são as características fundamentais que um médico de família e comunidade deve ter para se destacar na profissão. Para ele é necessário ter “boa comunicação, tanto com pacientes quanto com sua equipe de trabalho. Para além disso, interesse genuíno em resolver os problemas que se apresentam no cotidiano, inclusive os operacionais.”
O médico de família colabora com diversas especialidades médicas e outras profissões, tanto na área da saúde quanto em outros setores, sempre que isso seja benefício para o paciente.
Em algumas situações, é preciso compartilhar o cuidado com outro profissional médico, seja porque o tratamento atual não está apresentando os resultados esperados ou devido à presença de uma condição menos comum. Dessa maneira, o atendimento é realizado de forma complementar e integrada com todas as especialidades envolvidas.
O termo “clínico geral” é usado, equivocadamente, para designar aquele médico que não tem especialidade nenhuma. Porém, a Clínica Médica é uma especialidade que serve de pré-requisito para várias subespecialidades, como a Cardiologia, a Gastroenterologia e a Neurologia, por exemplo.
Já o médico formado em Medicina de Família e Comunidade é um especialista em pessoas, sem restrição de idade, gênero ou doenças.
Isso porque ele observa as relações pessoais do paciente, do ambiente de trabalho e da comunidade em que vive. Se precisar, faz os encaminhamentos para especialistas focais.
Ele é o primeiro médico a ser consultado quando a pessoa precisa de um. Em vez de conhecer um pouco de todas as doenças, como faz um recém-graduado, o médico de família estudou para conhecer a fundo a maioria das doenças mais frequentes e saber como proceder com a avaliação inicial.
A maioria dos médicos da família atua para o Programa de Saúde da Família. Por conta disso, quem mais absorve a demanda dos recém-especializados são as prefeituras municipais, que selecionam os médicos especialistas em Medicina da Família e Comunidade por meio de concurso público.
Eles seguem a rotina das Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou dos postos de saúde. É importante lembrar que a demanda de médicos especialistas em Medicina da Família e Comunidade também é grande em regiões rurais, áreas indígenas, quilombolas e ribeirinhas.
Ainda existe a possibilidade de atuação em unidades hospitalares de baixa e alta complexidade, em assistência em consultórios particulares, além de oportunidades em alguns planos privados de saúde.
“Quem restringe a visão do MFC como sendo “o médico do posto de saúde” está muito limitado em relação à compreensão da atuação desse profissional no mercado. Os planos de saúde tem investido muito em serviços de APS, tendo MFCs como protagonistas desse processo. Além da atuação médica em si, cargos de gestão, preceptoria e docência são algumas das outras oportunidades que se apresentam aos profissionais dessa especialidade”, comenta Padilha.
Afinal, quanto ganha um médico de Família? O profissional da área recebe, em média, R$ 11.672,94 no mercado de trabalho brasileiro para uma jornada de trabalho de 35 horas semanais, de acordo com pesquisa realizada pelo site Salario.com.br.
Perguntamos ao Padilha se a profissão oferece uma boa remuneração, e se é possível conciliar vida pessoal e profissional. Sobre isso ele comenta:
“Como existem diferentes funções possíveis, também são diferentes as remunerações. Mas certamente é uma especialidade em valorização, ainda que em algumas prefeituras perceba-se um padrão de contratação por contrato temporário e sem diferenciação de salário entre médicos sem especialidade e os médicos e médicas de família e comunidade. Sobre a conciliação entre vida pessoal e profissional, é uma especialidade menos sujeita a imprevistos como cirurgias de última hora, mas o profissional tem que estar preparado para encaixes na agenda, reuniões e regulações para outros serviços, podendo alterar o planejamento inicial para o dia.”
Se você pensa em ser esse profissional que atende a toda uma comunidade e impacta fortemente o sistema público de saúde, o primeiro passo é se especializar na área por meio da prova de título e a residência médica em Medicina de Família e Comunidade.
O programa de residência em medicina geral de família e comunidade tem duração de dois anos e é de acesso direto, ou seja, ao terminar a faculdade de Medicina e passar nos processos seletivos para a residência, o estudante já pode começar, sem a necessidade de pré-requisitos.
Outra curiosidade sobre essa área é que, segundo os dados do estudo Demografia Médica no Brasil 2020, o número de mulheres que ingressaram nessa especialidade cresce a cada ano. Isso é reflexo da melhoria das políticas públicas na saúde coletiva e da conscientização da população em geral.
Uma equipe de saúde da família bem formada pode resolver de 75% a 85% dos problemas trazidos pela comunidade. Isso porque atua não apenas no tratamento de doenças, mas também na promoção e na proteção da saúde, na prevenção de doenças, na redução de danos e na reabilitação de pacientes.
O professor Padilha também compartilhou com a gente sobre a sua experiência na residência médica:
“Fiz a residência em medicina de família e comunidade na USP-RP, onde temos serviços multiprofissionais (com residentes também de fono, fisio, terapia ocupacional, nutrição..). Isso foi muito bom, porque o trabalho em equipe já foi uma realidade durante minha especialização. Além de estar vinculado a um núcleo de saúde da família, também realizei estágios externos em pequenas cirurgias, ambulatórios de puericultura, pré-natal, banco de leite e imagens radiológicas, por exemplo.”
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Professor da Medway. Formado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, com residência em Medicina de Família e Comunidade pelo HC-FMRP-USP. Especialização em Preceptoria em MFC pelo UNA-SUS/UFCSPA em 2018/2019. Experiência como preceptor no programa de residência em MFC do HC-FMRP-USP.
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